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  História das Runas


 

 
 

   

   


 
 
Mestre Louva a Deus



É parar o corpo e a mente também. É quando se interrompe  o trabalho e não se pensa mais nele.

 Só se pensa e se faz coisas agradáveis. Assim se descansa o corpo e a mente também. Relaxar é diminuir as tensões do dia- a- dia.

-Mas relaxar não é dormir?

-Não Sophia. Quando dormimos relaxamos, mas podemos relaxar acordados também. Tudo que se faz de forma consciente é mais profundo, alcança nossa alma e traz alegria para nossa vida.

-Então é por isso que ele é mal humorado? Ele não relaxa?

-É Sophia .Esse mal humor não é outra coisa senão cansaço.

-Eu pensava que ele era ruim.

-Mas não é Pedro, apenas deixou que o trabalho se  tornasse um peso em sua vida. Que isto sirva de lição para vocês dois.

-Eu nunca vou ser assim. Nunca vou trabalhar! Afirma Pedro categórico.

-Então você vai ser um preguiçoso, seu bobão?

-Vou. Eu não quero ficar mal humorado!

-Ora Pedro, não é preciso deixar de trabalhar para ser feliz. Basta cumprir suas obrigações com amor e guardar um tempo para o descanso. Você já esqueceu a conversa com as formigas?

-É mesmo! Elas eram bem felizes. Mas ainda assim eu não quero carregar folhas o dia inteiro.

Sophia cai na risada.

-Você não é formiga!

E os três seguem rindo muito em direção ao rio.

 

 

 

 

 

 

                                                

 

                                         

                                             

 

2º Cap.

 

 A QUEDA NO RIO

P

edro como sempre, ia na frente, saltando e fazendo uma barulheira. E tão distraído que estava não percebeu que se aproximara demais do rio.

De repente saltou e, tarde demais, descobriu que não havia chão sobre o qual cair. Mergulhou na água fria, apavorado.

Sophia e Bia ainda ouviram seu grito antes de afundar. Correram, mas ao chegarem à margem só viram um pedaço de sua asinha sendo arrastada pela água.

Sophia entrou em pânico. Precisava salvar o amigo, por isso não pensou duas vezes. Deixou que uma folha, que vinha boiando, se aproximasse da margem e saltou.

A natureza de seu corpo permitiu que ela se grudasse firmemente na folha e seguisse rio abaixo.

A borboleta apenas observava lá do alto. Agora começava uma aventura muito pessoal para os dois. Ela não poderia mais ajudar ou  intervir.

Logo adiante o rio fazia uma curva, mas Sophia não tinha esperança de alcançar Pedro antes dela. Lembrava-se dos avisos do pai, sempre tão carinhoso e cuidadoso com ela:

-Cuidado filhinha, nunca se aproxime demais da margem do rio. A água é uma benção, mas pode ser muito traiçoeira para quem é da terra.

Se ele sonhasse  que ela pulara deliberadamente no rio, na certa ficaria uns três meses de castigo.

Lá na frente, Pedro tomava consciência do perigo em que estava. Respirou fundo numa das vezes em que veio à tona e deixou-se arrastar, rezando para que não fosse hora do almoço dos peixes. Lembrou de uma conversa que tivera com o Louva-a-Deus  no inverno passado.

- Pedro, a natureza do rio é correr. Não se pode pará-lo. Se um dia você cair na água, não se debata. Mantenha a cabeça fora d’água e deixe-se arrastar. Você se arranhará um pouco nas pedras, nos galhos, mas chegará vivo.  A não ser é claro, que encontre no caminho um peixe faminto. Portanto, o melhor para você  não é aprender a não lutar contra o rio. O melhor é não cair no rio.

Pedro pensava no Louva-a-Deus. E agradecia as lições que só agora entendia.

Sophia também rezava, mas para alcançar o amigo. O rio era muito longo, mais longo que tudo que ela podia imaginar.

Mas Pedro acabou tendo sorte; um galho seco enroscou-se em suas asas. Ele conseguiu subir no galho e sentiu-se mais seguro.

-Pedro! Pedro! Chamava Sophia.



Escrito por Duca às 16h50
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-Isso por que você nunca foi amigo de uma delas. Só quando a gente se aproxima e se torna amigo é que a gente percebe a diferença. O olhar do amigo é sempre amoroso. Seu sorriso traz sempre luz e seu abraço é muito mais caloroso.

Pedro olhou para Sophia enternecido. Sabia que a borboleta tinha razão. Entre tantos caracóis, somente ela era capaz de encher seu coração de alegria. Ela era especial. Era uma amiga.

A borboleta Bia, sentindo que os dois estavam entendendo bem, fez um convite:

-Vamos dar um passeio e fazer algumas observações?

Sophia e Pedro, já apaziguados, resolveram aceitar o convite. Era cedo, o dia estava lindo e a curiosidade enorme.

Pedro, como sempre, saiu pulando na frente, gritando e mexendo com todos que encontrava no caminho.

Seguiram por entre umas folhagens grandes e bem verdes que Sophia nunca tinha visto antes. Afinal, ela era um pequeno caracol e não costumava ir muito longe de casa.

Afastaram-se bastante do rio entrando para o interior da floresta, que não era um lugar tão grande assim.

Foi aí que Sophia viu uma fila de formigas carregando folhas.

-Para onde elas vão levar tanta folha?

-Eu sei! Grita Pedro. Elas vão construir uma casa de folhas.

Bia sorriu. Era bem engraçado aquele grilinho.

-Não, Pedro. Elas não estão construindo nada. Essas folhas fazem parte da sua alimentação. Elas armazenam agora para que no inverno não falte comida.

-Ah! Fez Pedro.

-Coitadinhas! Trabalham tanto! Deve ser muito triste.

-Você acha? Então converse com elas.

Sophia aproximou-se devagar da fileira e falou com a primeira formiga que passou:

-Bom dia, Dona Formiga! Eu posso conversar um pouco com a Senhora?

-Bom dia, menina. Estou trabalhando e não tenho tempo para conversas.

-Eu só queria fazer uma pergunta.

-Só uma pode. Estou com pressa, mas não esqueci minha educação. Pode perguntar.

-A Senhora trabalhando tanto, é feliz?

-É claro! Que absurdo! Eu só não seria feliz se não tivesse trabalho. Ele é o motivo da minha existência e da minha sobrevivência.

-Mas a Senhora nunca cansa?

-Ás vezes. Por isso à noite nós descansamos. No outro dia, voltamos ao trabalho com alegria redobrada. Todo trabalho realizado com amor não cansa. É a insatisfação que cansa a alma, desanima o corpo e adoece o coração.

-Quer dizer que a Senhora é feliz mesmo?

-E muito. Só vou deixar de ser feliz quando não houver mais folhas para carregar.

-E isso pode acontecer?

-Claro! Do jeito que anda a poluição e o descaso em relação à natureza, não só as folhas, mas as árvores todas podem sumir. O ser humano está tão ofuscado pela luz do progresso que, das árvores ele só vê o que vai construir e não o que está destruindo.

Sophia ficou silenciosa e despediu-se preocupada.

-Vamos, convida Bia.

E prosseguiram o passeio. Passaram pela colméia e aprenderam com as abelhas o que era organização, responsabilidade, comunidade e ainda provaram um delicioso mel. As abelhas eram as melhores criaturas  para ensinarem sobre doçura.

Depois encontraram as cigarras. Cantaram e dançaram com elas. Aprenderam sobre lazer, descanso e ainda puderam perceber como a alegria tornava o dia mais curto e as emoções mais intensas.

Durante todo o caminho a borboleta Bia  ensinava uma infinidade de coisas. Com isso o tempo passou rápido. Já passava do meio-dia, precisavam voltar.

Na volta encontraram o marimbondo.

-Boa tarde, disseram.

-Só se for para vocês! O meu dia está péssimo. Estou atrasado e não tenho tempo para conversa fiada.

-Nossa, que mal humorado!

-Calma Sophia. O marimbondo tem muitas responsabilidades e como nunca descansa, nem brinca,nem ri, acaba ficando irritado. Não dê importância  à sua impaciência.

-Mas por que ele não descansa? Quer saber Pedro.

-Porque ainda não entendeu que pode trabalhar e ser feliz ao mesmo tempo, como as formigas e as abelhas. Pensa que, ser responsável é ser sisudo.Não aprendeu a relaxar.

-O que é relaxar?



Escrito por Duca às 13h47
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Esta estória  fala da amizade e da presença passageira e marcante de dois pequenos amigos que visitaram nossa floresta, que afinal não é um lugar tão grande assim. É a segunda  estória ditada pelo Dragão. Prestem atenção, no caminho da aventura há sinais que nos dizem quem somos nós e quem é nosso Mestre verdadeiro.

Saímos agora juntos, mas quem chegará primeiro?

 

 

 

 

A NONA LIÇÃO DO LOUVA-A-DEUS

 

1ºCAP. O SOL

 

 

-Sophia! Sophia! Vem ver, o sol voltou!

Depois de dias de chuva intensa, finalmente o sol voltara a brilhar.

Sophia acordou-se chateada. Seu amigo Pedro era sempre tão exagerado! Precisava gritar tanto assim?

Após uma longa noite, os olhos de Sophia tinham uma certa dificuldade em abrir-se. Preferia quando a mãe a chamava com doçura e cuidado. Mas Pedro era sempre  aquele exagero. Pulava mais que um sapo e gritava mais que uma dúzia de cigarras. Não tinha sossego nunca.

Espreguiçou-se longamente e foi ver qual era o motivo de tamanha algazarra.

O sol! Sophia ofuscada por tanta luz encolheu-se um pouco até acostumar-se com aquela claridade toda.

Amava o sol. Tudo na natureza parecia mais colorido e alegre quando o sol estava presente. Menos Pedro, que era alegre e barulhento até em noites bem escuras.

Olhou para o amigo que estava todo agitado e disse:

- Que lindo Pedro! Eu já estava com saudades desse calorzinho e desse sol gostoso.

-Calorzinho? Eu tenho saudades é de brincar. Vamos ao rio? Lá na pedra grande, perto da casa  do Louva-a-deus?

-Vaaamos!

E lá foram os dois. Pedro pulando e gritando feliz da vida e Sophia no seu jeito vagaroso, seguindo o amigo de longe.

No caminho passaram pelo Besouro que os cumprimentou todo formal.

-Bom dia crianças!

-Bom dia! Responderam os dois.

Encontraram ainda a formiga, toda apressada. Cumprimentou-os correndo.

-Bom diiia!

-Bom diiia! Falaram juntos, enquanto a formiga sumia atrás de uma folhagem.

E de bom dia em bom dia chegaram ao rio.

Pedro que era um grilo muito agitado, foi logo pulando na pedra grande, mas Sophia que era um pequeno caracol, encostou-se  ofegante e reclamou:

-Pára um pouco, Pedro! Você correu e pulou tanto que eu quase não consegui acompanhá-lo, quase me perdi.

-Você que é muito devagar. Devagar e gorda.

Sophia ficou furiosa. Detestava quando alguém a chamava de gorda. E Pedro sempre fazia isso só para irritá-la.

-Se eu sou gorda, você é magricela, parece até filho de Louva-a-Deus.

-De Louva-a-Deus não! Meu pai é um grilo bem engraçadinho!

-Engraçadinho é você, que só diz bobagens!

Tão concentrados estavam na discussão que nem perceberam que uma borboleta os observava.

 

-Estão brigando, crianças?

Pedro e Sophia deram um pulo de susto. Era Beatriz, a borboleta. Uma das criaturas mais doce e amada da floresta, que não era um lugar tão grande assim.

-Sabe Dona Borboleta...

-Pode me chamar de Bia.

-Sabe Dona Bia...

-Só Bia, por favor, criança.

-Sabe Bia, eu sou a Sophia e este é o Pedro. Ele sempre implica comigo porque eu ando devagar.

-Pode parar! Gritou Pedro. Você começou a reclamar. E ainda me chamou de magricela.

-Calma, crianças! Brigar não vai desfazer a diferença entre vocês. O segredo do bom entendimento  é um aceitar o outro como ele é. Devagar ou rápido, silencioso ou barulhento, gordo ou magro. Todas as coisas na natureza apresentam diferenças. Uma borboleta nunca é igual à outra.

-Ué! Pensei que fossem, diz Pedro.



Escrito por Duca às 16h08
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Os detalhes nem sei como os captei, talvez seja por que minha alma fica leve quando feliz e quando não, tambem, assim eu posso andar entre os espaços, entre as pessoas e por todas as mesas e ouvir na respiração de cada um esta fala que não se expressa por palavras mas por sorrisos, abraços e ás vezes por uma ausencia indesejada....



Escrito por Duca às 14h32
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DETALHES

Talvez eu tenha saido antes da champanha, ou quem sabe não tenha degustado de forma adequada a sobremesa, mas o que me ficou da festa foi o silencio entre cada palavra, uma satisfação de partilhar conversas amenas, reclamações profundas, comentários profanos e a risada gostosa da joana.



Escrito por Duca às 14h28
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Encontro na casa do Alecrim

(A Festa Que Eu Fui)

 

O dia está nublado,

aniversário atrasado,

velório inesperado.

Quatro mesas divididas,

numa não havia flor,

nos juntamos por acaso

ou em busca de calor?

Quem sobrou foi para o balcão,

ficar mais perto da carne

ou quem sabe do alemão,

que  de avental improvisado

não se fez de rogado

e o cordeiro temperou.

A Joana estava feliz

mas o arroz estranhou,

que coisa mais esquisita,

será que a Dinda endoidou?

A sobremesa gelada

deixou tudo divertido

ao ser apelidada

de maionese e cera de ouvido.

 a festa como terminou?

Sei lá!

Tive que sair para rezar!

Será que a Joana

um peixinho pescou?

E a sálvia

para a cozinha voltou?

Festa de Alecrim

tem que ter sálvia

um não vive sem o outro

Alecrim protege tudo

sálvia protege o alecrim.

Com amigos é assim

eu cuido de voces

voces cuidam de mim.



Escrito por Duca às 14h20
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O medo ainda existia, mas dali para frente, seria apenas o companheiro que refrearia a sua ousadia quando necessário. Precisava de prudencia para enfrentar novos perigos. Sua experiencia era pouca, porem sua vontade era imensa. Voou. Era bom ter asas. Ela então descobriu que era capaz de ser feliz. Dançou, cantou e riu com todos os Seres que encontrou no caminho.

De longe, Louva-a-deus e Borboleta assistiam seu primeiro voo, sua primeira aventura, aceitar suas asas e enfrentar o  medo de altura.

Sorriam satisfeitos. Missão cumprida!

Borboleta, embalada pelo vento, pensou em todos os amigos que fizera no decorrer de sua vida de lagarta e começou a compreender a oitava lição do Louva-a-deus; a

COMPAIXÃO.

Era preciso ter olhos de flor para perceber, na feia lagarta, a alma da borboleta.

Esta lição não seria a última, mas seria sempre a mais bonita de todas.

Borboleta respirou fundo, lançou um último olhar para trás,

despedindo-se dos amigos e foi em frente.

Muitos jardins a esperavam pelo caminho, mesmo que a floresta não fosse um lugar tão grande assim.

Agora sua consciencia cobrava responsabilidade e sua responsabilidade; trabalho, mas trabalhar com amor era muito prazeroso.

Voou feliz.

Para onde?

Isto já é uma outra história.

Até!

 

 

 



Escrito por Duca às 14h03
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Agradecida e emocionada a Lagarta, agora de posse das suas asas, abraçou-se ao amigo e choraram juntos. Estas lágrimas não eram de tristeza, eram de libertação.

A Lagarta se transformara finalmente, em Borboleta. Libertara-se do peso da lagarta.

Louva-a-deus estava feliz, cumprira sua missão. Não permitira que uma LAGARTA se perdesse.

Ajudara a transformar uma BORBOLETA, salvara um pequeno pedaço da floresta, que não era um lugar tão grande assim.

Naquela tarde, ouviu-se por todos os lugares uma música diferente. Todos os insetos estavam felizes. Era primavera e muitas borboletas nasceram naquele dia.

E em meio a tanta alegria, enquanto todos brincavam, ela deu-se conta da sétima lição do Louva-a-deus. A PACIENCIA. Sabia agora que era preciso atravessar o rio muitas vezes para se conhecer as águas turbulentas dos dias de tempestade e a serenidade das águas calmas nos dias de verão. Só depois disso podia-se dizer que se sabia algo a respeito do rio. Conhecer ou conhecer-se levava tempo e tempo era a expressão da paciencia.

Mas não se podia apenas aprender, ensinara Louva-a-deus. Aprendizado guardado era lição inútil. Ela precisava contar, levar adiante, ensinar o que aprendeu como faziam seus amigos.

A nova Borboleta então decidiu, seguiria o bom exemplo de seu amado Mestre e da querida amiga Borboleta.

Daquele momento em diante usaria suas experiencias para ajudar todos aqueles que, na forma de lagartas ou não, precisassem descobrir sua verdadeira natureza.

Abraçou os amigos. Sabia que não era uma despedida. Não se separariam mais. Haviam criado um vínculo. Eram amigos de alma.

Borboleta então voou. Não precisava mais voltar para sua toca, seu lar agora era outro.



Escrito por Duca às 14h02
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divertido.

-Socorro! Alguém faça alguma coisa. O vento está me carregando para o rio!

-Pois não permita! Bata suas asas e volte para o chão, diz a Borboleta.

-Eu não tenho asas, sou uma Lagarta!

-Então olhe para baixo, veja seu reflexo na água, pediu a amiga.

A Lagarta quase parou de respirar quando viu refletida na água a imagem, não de uma, mas de duas Borboletas. Uma mais bonita do que a outra, voando lado a lado.

-Quem é aquela outra? Perguntou assustada.

-É voce, respondeu Bia. Voce não sabia que toda Borboleta antes de ganhar asas se arrasta no corpo de uma Lagarta?

-O que? Então eu sempre fui uma Borboleta?

-Claro que sim! Isto acontece com todas as borboletas. Só que algumas tem consciencia da sua essencia, outras não, só conhecem seu corpo de lagarta. Mas é no corpo da lagarta que a borboleta aprende as grandes lições de sua existencia.

-E por que ninguem me falou? Por que deixaram que eu sofresse tanto pensando que sempre seria uma lagarta?

Voce mesma que sempre ensinava sobre a dor, por que não diminuiu a minha? Era só contar a verdade.

-Não. Era preciso que voce descobrisse por si só, trilhando o caminho da dor, por onde passam todas as lagartas. Pergunte ao Louva-a-deus.

Ela então lembrou-se dele e, um pouco desajeitada, ainda não se acostumara com seu novo corpo, aproximou-se.

-Louva-a-deus, aprendi tanto em sua presença, sobre tantas coisas. Porque voce não me contou?

-Por que se eu contasse voce jamais aprenderia a amar a sua forma primitiva, que era onde estava sua essencia. Nem tentaria aprender as lições que a Lagarta precisava. Ficaria inerte esperando o dia em que suas asas surgissem e não fortaleceria seu corpo de lagarta no aprendizado da dor, tão necessário para o crescimento e a evolução de seu espírito de Borboleta. Teria tido uma vida inútil e quando suas asas chegassem não estaria preparada para o voo. Provavelmente nem saberia usá-las. Morreria no bico do primeiro pássaro que cruzasse seu caminho.



Escrito por Duca às 14h02
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Capitulo Final

                              A PRIMAVERA

 

D

ormiu. E parece que se passaram meses...

Nos primeiros raios de sol, saiu apressada, tropeçando em tudo, mas levando consigo esperança e gratidão.

Pela primeira vez precisava falar ao invés de ouvir. Agradecer antes de pedir. Participar e não apenas assistir.

Chegou ao jardim antes dos dois. Preparou um lugar especial e confortável para eles e esperou.

Esperou agradecendo. Quando eles chegaram, ela já preparara o chá. Estava serena.

De longe Borboleta e Louva-a-deus perceberam a mudança. A Lagarta não seria nunca mais a mesma. Ela ainda não sabia, mas a grande metamorfose já acontecera. Olharam-se e nada disseram. Não era preciso falar.

A Lagarta estava muito á vontade. O jardim não era mais o jardim do Louva-a-deus ou da Borboleta. Era dela  também.Ela já fazia parte daquele universo particular.

Em silencio compartilharam o chá. Louva-a-deus e Borboleta sorriam a cada vez que seus olhares se cruzavam.

Depois ouviram todas as palavras de amor e gratidão que a Lagarta conhecia. Sua voz, num tom diferente do habitual, fazia até com que as arvores prestassem atenção.

A floresta, que não era um lugar tão grande assim, ouvia comovida e silenciosa.

Estava tão concentrada no seu discurso que não percebeu que algo diferente acontecia.

O vento estava soprando de forma mais intensa em seu rosto. Os raios de sol pareciam estar mais quentes e ela sentia uma leveza que seu corpo pesado de Lagarta nunca sentira antes.

Foi aí que se deu conta que estava no ar, flutuando acima das flores, bem perto da copa das arvores.

Mas como? Era uma Lagarta. Lagartas não voam!

Olhou para o lado e viu que a Borboleta a seguia com olhar



Escrito por Duca às 14h00
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amigavelmente. Parece até que falavam dela, pois se calaram constrangidos quando perceberam sua presença.

 -Que bom encontrá-los juntos. Preciso de explicações. Não saio daqui hoje sem respostas aceitáveis. Quero saber o que voces estão escondendo.

Borboleta de olhar sério, nada falou.

Louva-a-deus pegou-a pelo braço, levou-a até o rio e pediu que olhasse para a água.

-O que voce vê?

-Ora, uma lagarta. Gorda, de olhos redondos e arregalados. O que mais poderia ver?

Não se dera conta, mas não falara em feiúra. Estaria ela já se olhando de outro modo?

-Amada amiga, nós refletimos aquilo que está na nossa alma. Enquanto seus olhos só enxergarem feiúra em si mesma, é só feiúra que verá no reflexo do seu espelho d’água. Quando mudar seu olhar, e ele for de amor para sua própria imagem, então voce verá a criatura linda que realmente é.

- Quem me dera! Ser linda como a Borboleta, doce a abelha, talentosa como a cigarra, forte como a formiga, decidida como o marimbondo, carinhosa como o caracol,ou ainda, ter o coração de sabedoria e amor do sagrado Louva-a-deus.

 

-Eis o seu grande erro, comparar-se aos outros, sem respeitar as diferenças. As diferenças são como peças de uma engrenagem, iguais, não se encaixam, diferentes impulsionam e fazem girar os mecanismos.

Na natureza, o cheio de um, deve preencher o vazio do outro para haver equilíbrio e harmonia. Mas, vazio, deve esperar que se encha e cheio deve compartilhar, como na grande respiração do Universo.

Eu sou verde, Borboleta é azul, voce é marrom. Aceite isso. Não procure mudar sua cor. Seja apenas o melhor marrom que puder ser e descobrirá que a felicidade vem mais do seu respeito e amor próprio do que da aceitação dos outros.

A Lagarta olhou para a água mais uma vez. Onde estava aquela beleza que seus amigos insistiam em ver?

Olhou-se um pouco mais. Reconheceu uma certa simpatia em seu rosto. Experimentou sorrir um pouco, era difícil.

Estranhamente sua imagem na água começou a se distorcer, uma lágrima caíra sobre ela. Então lembrou-se que era triste e uma cascata de lagrimas desmanchou sua imagem. Ela chorou como nunca havia chorado antes.

Louva-a-deus respeitosamente retirou-se com a Borboleta. Não era hora de consolar. Aquelas lágrimas precisavam rolar, romper a represa das emoções refreadas que estavam causando dor e impedindo o fluxo das energias curadoras.

Mais tarde ela voltou só para casa. Entrou procurando seu pequeno espelho. E descobriu que, por distração ou medo o espelho fora colocado atrás da porta.

Olhou-se profundamente. Era uma Lagarta. Tinha todos os traços de uma Lagarta. E era isso. Era simples como dizia seu amigo.

Chorou agradecida e acreditou com toda sua fé na sexta lição do Louva-a-deus. ACEITAÇÃO. Aceitar-se era a única forma de crescer e curar-se.



Escrito por Duca às 13h59
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corre sozinho e nós não podemos mudar o rio. Nós só podemos usufruir do rio do jeito que ele é.

As coisas mudam pela necessidade e não apenas por nossa vontade. Mudar pode causar dor, mas quando fugimos da dor, nos afastamos da alegria, que é o resultado único de toda transformação.

Voce é uma Lagarta, não pode mudar hoje, tem que amar e aproveitar esta forma para adquirir todo o conhecimento

que uma Lagarta precisa para evoluir. Depois quando vier a metamorfose aí voce passa a aprender as coisas que precisará para vivenciar as experiências de seu novo corpo.

Ela não fez nenhuma pergunta, não queria ouvir as respostas. Dentro dela, um medo novo crescia lentamente.

Ele abraçou-a longamente num misto de piedade e amor e separaram-se.

Nos dias seguintes abateu-se sobre a floresta, que não era um lugar tão grande assim, uma chuva torrencial, impedindo que a Lagarta saísse.

como Aliviada, deu graças a chuva, por não precisar ou poder ir ao rio.

Por mais que amasse seus amigos, agora eles lhe causavam um estranho medo.  Sentia que havia algo mais por trás  de tudo o que eles ensinavam. Não sabia bem o que era e isto era assustador.

Esse tempo de recolhimento e solidão foi bom para ela, serviu para descobrir que precisava entender algo bem mais profundo a respeito de si mesma.

Decidiu procurar a Borboleta. Dos dois, ela era a que mais assustava, no entanto, parecia que ela tinha todas as respostas possíveis.

O Louva-a-deus sempre falava por enigmas, mas a Borboleta era muito direta.

Desta vez não esperou por ninguem, atravessou o rio sozinha e entrou no jardim impaciente, ignorando completamente as flores.

E que surpresa ela teve!

Borboleta e Louva-a-deus, sentados numa flor, conversavam



Escrito por Duca às 13h57
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Borboleta explicou então que tudo na natureza tinha uma energia própria. E que esta energia era a alma das coisas, portanto, tudo tinha alma e que, ter asas, dependia muito da capacidade de sonhar.

Falou que, se uma pedra aprendesse a sonhar, ela imediatamente ganharia asas.

Lagarta achou que já era demais. Essa tal de Borboleta era completamente louca!

 -Onde já se viu pedra voando?

A Senhora me desculpe, mas pedra é pedra. Pode até rolar, mas voar? Isso nunca! Quem voa, tem que ser leve senão, eu mesma voaria!

 -É isso! Exclamou a Borboleta.  É o sonho que nos dá  leveza e nos permite voar acima da montanha das impossibilidades, nas asas da imaginação.

Quem sonha, imagina. Quem imagina, cria. Quem cria desperta dentro de si o seu EU DIVINO. Se transforma  passa a habitar entre as estrelas.

 -Pronto, agora endoidou de vez! Pode uma simples Lagarta querer ser Deus? Só as águias podiam voar perto das estrelas, às Lagartas restava arrastar-se pelo chão.

Borboleta ouviu séria. Percebeu que a Lagarta não sabia

O que ela era de verdade. Precisava pensar e tomar algumas providências.

Levantou vôo de repente, apressada e sumiu na floresta,

Que não era um lugar tão grande assim.

Louva-a-deus acalmou a amiga confusa. Ela não ofendera a Borboleta. Bia, era esse o seu nome, só era um pouco agitada, mas voltariam a ve-la noutro dia. Por ora, precisavam voltar.

Aquela foi uma noite ruim. A Lagarta teve um sono agitado. Sonhou que era gorda e pesada, mas tinha asas, que batia sem parar, mas por causa do seu peso, não saia do chão.

Ao amanhecer foi resoluta ao rio. Precisava de uma explicação.

Assim que chegou contou o sonho ao Louva-a-deus e esperou.

O amigo apontou ao redor e disse:

 -Tudo na natureza tem um ciclo. E este ciclo, um ritmo próprio. E o tempo da transformação precisa ser respeitado. Uma Lagarta só pode ter asas depois que deixar de ser Lagarta. Não se pode apressar ou alterar os ritmos da natureza, como não se pode alterar o curso dos rios. O rio



Escrito por Duca às 13h56
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aproxima. Voce sentiu minha presença antes de me ver

por que, almas amigas estão sempre próximas, mas isso voce já sabia, não é?

Lagarta sorriu emocionada e abraçados começaram a atravessar o rio. Toda a saudade se diluiu naquele abraço.

No jardim, deitaram-se lado a lado e por longos minutos observaram a imensidão azul do céu.

Lentamente Louva-a-Deus começou a falar de luz, sombra e da ilusão que as sombras causavam.

Explicou que, enquanto a Lagarta não aprendesse a olhar para si mesma com amor, ignorando sua sombra, distorcida por seus medos, não seria feliz de verdade. E que ela precisava levar para dentro de sua casa a luz que havia descoberto naquele seu novo mundo.

Pediu-lhe que colocasse um espelho, por pequeno que fosse, num lugar qualquer da casa, onde pudesse se ver muitas vezes ao dia. E não apenas olhar-se mas, perceber, admirar e aceitar sua forma, seu corpo, sua essencia, com respeito e amor.

Lagarta prometeu fazer isso e, já ia perguntar mais alguma coisa quando avistou o ser mais bonito que jamais havia visto antes. Era pequena, tinha asas grandes para seu corpo

diminuto e era muito colorida.

Parecia uma fada. Flutuava sobre as flores, como se as estivesse beijando.

Curiosa a Lagarta levantou-se. Finalmente Louva-a-deus apresentaria sua amiga.

Era uma Borboleta!

Tão colorida, tão linda que parecia mais uma flor com asas.

Pousando numa flor a Borboleta aguardou que passasse a surpresa da Lagarta. Sorria apenas.

Era simpática, delicada, mas seu olhar era forte, como se tivesse o poder de ler a alma dos seres.

Envergonhada de sua feiúra, a Lagarta cumprimentou de longe, mas Borboleta gostava de abraços, era calorosa e toda ternura. Lagarta comoveu-se, já conseguia reconhecer uma amiga.

Sentaram-se os três. E Borboleta deixou que sua voz cristalina enchesse o ambiente.

Borboleta era eloquente e a Lagarta, que adorava ouvir, não conhecia ninguem que falasse tanto, nem os sapos eram tão tagarelas.

Borboleta era a agitação em pessoa, ou inseto.

Contou muitas coisas diferentes e divertidas.

Lagarta queria saber mais sobre ela e Borboleta não se fez de rogada, falou que era a alma da flor, de todas as flores.

Aí foi a vez da Lagarta rir. Flor tinha alma? Alma tinha asas? Como assim?

Louva-a-deus sorriu. Deixaria que a Borboleta explicasse, afinal, ela não falava pelos cotovelos?



Escrito por Duca às 13h54
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aproxima. Voce sentiu minha presença antes de me ver

por que, almas amigas estão sempre próximas, mas isso voce já sabia, não é?

Lagarta sorriu emocionada e abraçados começaram a atravessar o rio. Toda a saudade se diluiu naquele abraço.

No jardim, deitaram-se lado a lado e por longos minutos observaram a imensidão azul do céu.

Lentamente Louva-a-Deus começou a falar de luz, sombra e da ilusão que as sombras causavam.

Explicou que, enquanto a Lagarta não aprendesse a olhar para si mesma com amor, ignorando sua sombra, distorcida por seus medos, não seria feliz de verdade. E que ela precisava levar para dentro de sua casa a luz que havia descoberto naquele seu novo mundo.

Pediu-lhe que colocasse um espelho, por pequeno que fosse, num lugar qualquer da casa, onde pudesse se ver muitas vezes ao dia. E não apenas olhar-se mas, perceber, admirar e aceitar sua forma, seu corpo, sua essencia, com respeito e amor.

Lagarta prometeu fazer isso e, já ia perguntar mais alguma coisa quando avistou o ser mais bonito que jamais havia visto antes. Era pequena, tinha asas grandes para seu corpo

diminuto e era muito colorida.

Parecia uma fada. Flutuava sobre as flores, como se as estivesse beijando.

Curiosa a Lagarta levantou-se. Finalmente Louva-a-deus apresentaria sua amiga.

Era uma Borboleta!

Tão colorida, tão linda que parecia mais uma flor com asas.

Pousando numa flor a Borboleta aguardou que passasse a surpresa da Lagarta. Sorria apenas.

Era simpática, delicada, mas seu olhar era forte, como se tivesse o poder de ler a alma dos seres.

Envergonhada de sua feiúra, a Lagarta cumprimentou de longe, mas Borboleta gostava de abraços, era calorosa e toda ternura. Lagarta comoveu-se, já conseguia reconhecer uma amiga.



Escrito por Duca às 13h39
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